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  • Zé Ricardo (TrEiNoPeT)

A Culpa Nunca É do Cachorro! (parte 1 de 3)

Atualizado: Mar 5

A maioria dos comportamentos indesejáveis que nossos cães apresentam é por causa de alguma coisa que nós fizemos (ou deixamos de fazer) repetidamente em interações anteriores com eles, quase sempre inadvertidamente.

Na educação canina, vale aquele velho ditado: "É melhor prevenir do que remediar". A boa notícia é que mesmo depois que comportamentos ruins estejam instalados, um bom adestrador ainda poderá te ajudar com um plano "B".


Vejamos primeiro um dos exemplos mais comuns:


Pular nas pessoas que chegam é uma maneira que os cachorros costumam usar para cumprimentar, especialmente quando eles ficam excitados com a chegada de determinadas pessoas. Quando cães filhotes (ou de porte pequeno) fazem isso, os donos costumam achar graça, pois se sentem lisonjeados, e retribuem com carícias.


Também é comum esperarmos o cão decidir sair de cima de nós ou afastarmos o cachorro com a mão, o que não deixa de ser uma forma de interação que pode satisfazer a muitos cães.


Assim, após algumas ou várias experiências repetidas, o cão acaba aprendendo que (1) a pessoa gosta que ele pule nela e/ou (2) ele recebe atenção quando pula nela. O comportamento do cachorro de receber as pessoas pulando nelas foi recompensado e reforçado.

Inevitavelmente, vai chegar um momento em que você não vai mais querer que seu cão cumprimente dessa maneira. Teria sido melhor para todos, especialmente para o cão, se esse comportamento nunca tivesse sido reforçado, mas você não sabia. Então, você pode modificar esse comportamento ensinando ao seu pet um comportamento alternativo. Você pode tentar fazer isso por conta própria ou contar com a ajuda de um adestrador profissional, qualificado e atualizado.


Várias pessoas acreditam que seja uma boa medida colocar o joelho na frente quando o cachorro pular. Outras fazem coisa ainda pior: usam o pé como forma de punição ou simplesmente para afastar o cão. Do ponto de vista do 'treinamento positivo', tais procedimentos são sem sentido, uma vez que eles não ajudam o cão a aprender um comportamento aceitável para substituir aquele que nós não queremos mais. E seria desnecessário acrescentar que esses procedimentos são injustos e podem causar lesões.


Há mais um problema: para usarmos o joelho ou o pé, temos que prestar atenção no cachorro e interagir com ele, o que acaba sendo um reforço para o comportamento de cumprimentar pulando.


O que precisa ser feito é ensinar a nosso cachorro um comportamento substituto incompatível com pular: por exemplo, ensiná-lo a se sentar para cumprimentar as pessoas. Assim, sentar-se vai ser o comportamento que nós vamos recompensar com carícias e petiscos.


Enquanto o cachorro estiver aprendendo a se sentar para cumprimentar as pessoas, é imprescindível que paremos de demonstrar qualquer reação quando ele pular em nós. Não demonstrar qualquer reação é o mesmo que ignorar, que significa não olhar na direção do cachorro, não tocá-lo, não emitir qualquer som e, de preferência, manter uma expressão facial nula e imutável. Isto é o oposto da atenção que seu cão deseja, e comunica que os pulos dele não estão agradando.

Ao mesmo tempo, seu cachorro também estará começando a notar que é quando ele se senta que ele recebe a tão desejada atenção.


É simples, mas não é fácil. Todas as pessoas devem agir da mesma forma, todas as vezes, sem exceção, e por tempo suficiente para que todo o histórico de reforçamento anterior, que está dentro da memória do cão, seja 'substituído' por um novo. No início, o comportamento pode até piorar, pois o cão vai insistir ainda mais naquele comportamento que antes 'funcionava'.


E, não, a orientação do adestrador não está errada. Você e todas as outras pessoas envolvidas é que vão precisar ser muito disciplinadas e mais persistentes do que o cão. Pode demorar um pouco, o que significa um esforço razoável de todos, mais vai valer muito a pena.


No manual que eu forneço a cada novo cliente, eu digo o seguinte:


"Evite despedidas ao sair de casa e, principalmente, não faça da sua chegada uma festa. Isso aumentaria a ansiedade do cão em relação à espera. Ao chegar em casa, é provável que seu cão te receba com muito entusiasmo. Então, você deve ignorá-lo – não falar, não tocar e não fazer contato visual – enquanto ele estiver nesse estado de excitação. Acredite, é melhor para ele, por mais que pareça cruel. Portanto, ignore-o e entre, coloque suas coisas sobre um móvel, tire seus sapatos, use o lavabo, beba um copo d'água, ligue a TV ou ponha uma música para tocar, sente-se numa poltrona, ou seja, aja como você agiria se ele não estivesse ali, mas fique observando seu cão pelo canto do olho. Somente quando ele estiver dando sinais de calma é que você poderá dar a atenção e o carinho que ele deseja. Assim, você fará com que ele passe a encarar com naturalidade as chegadas e partidas."


Até breve com a parte 2.